Quando a Alma pergunta...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Preconceito!




Segundo o dicionário on-line da língua portuguesa, “Preconceito é um juízo pré-concebido, que se manifesta numa atitude discriminatória, perante pessoas, crenças, sentimentos e tendências de comportamento”.
O preconceito existe desde sempre, para nós brasileiros ele se manifesta ainda no Brasil colônia, depois da descoberta claro, pois nossos índios eram literalmente “despidos” de ideias pré-concebidas.
As contaminações desse sentimento errôneo de certo e errado, feio e bonito, vieram com os portugueses e acabaram por se disseminar em nossos meios e permanecem até os dias de hoje, seja de maneira velada ou explícita, o preconceito atua, comanda e determina muitos comportamentos em nossos dias. Infelizmente...
Os índios e negros que foram trazidos da África foram vistos como máquinas de trabalho, não como seres humanos, isso fez com que eles, os negros, perdessem sua humanidade, e seus direitos e fossem tratados com meros objetos.
Os chamados civilizados, roubaram, prenderam, torturaram e escravizaram seres humanos, sem o menor constrangimento, e ainda nos dias de hoje percebemos pessoas inteligentes e cultas cometendo os mesmos erros. Seja no preconceito racial, sexual, social, religioso, enfim, ainda convivemos com esse fardo que os portugueses (europeus) nos deixaram.
O Brasil é um país de mistura, onde descendemos de vários povos, somos seres multirraciais, não podemos e não devemos criar ideias pré-concebidas sobre nada ou nenhum outro ser.
Nós podemos analisar como preconceito o que nos fere e nos limita, ao pararmos um instante e pensarmos quantas vezes nos sentimos excluídos, rejeitados ou menosprezados, seja por alguém ou por alguma situação.
Quando não somos atendidos em nossas necessidades básicas de saúde, educação, lazer, cultura, por exemplo, estamos sendo discriminados, excluídos dos demais que têm acesso a esse tipo de serviço. Isso é preconceito! Por que uns têm direitos e outros não?
Quando somos julgados pela cor da nossa pele não sendo considerada nossa origem igual, divina, sofremos preconceito!
Do mais branco ao mais negro, do mais rico ao mais pobre, todos nós vivemos sob o mesmo cárcere que são nossas consciências. Nenhum de nós escapa ou escapará de responder pelos erros e colher os frutos do que plantarmos.
Somos iguais! Independente de qualquer diferença externa que nos individualize. Somos seres multirraciais, multiculturais e multidimensionais. Não podemos julgar nossa existência por uma vida, e não teremos como julgar nunca, pois não temos o conhecimento total, não sabemos ainda a proporção do todo ao qual fazemos parte.
O negro de ontem é o possível Doutor de hoje, o feitor do ontem, provavelmente amargará dores e necessidades hoje, sempre colheremos os frutos, quer sejam doces ou amargos. Podemos tentar disfarçar quem nós somos, os nossos preconceitos, nossos julgamentos velados da humanidade encarnada, mas, Deus e, a espiritualidade superior sabe e conhece o mais profundo dos nossos sentimentos e pensamentos, sabe das nossas atitudes mais horríveis, e também das mais belas, “a cada um será dado de acordo com suas obras”, já dizia o Mestre Jesus.
Precisamos cuidar do nosso julgamento, pois quando Jesus nos pediu que vigiássemos e orássemos, não foi a vida alheia, mas a nossa, não cabe a nós que conhecemos apenas uma pequena fração do todo definir o que é certo ou errado, feio ou bonito, por isso, como bem disse Clarice Lispector: “Antes de me julgar calce os meus sapatos...”
Não somos nada, e ao mesmo tempo somos tudo! Nossas diferenças nos fazem ser quem somos, e se elas não existissem seríamos todos iguais. Imaginem que monótono seria conviver com um arquétipo igual ao seu?! Ao meu?! O tempo todo...
Que consigamos nesse tempo onde tudo acontece agora, onde a colheita mal espera a semente germinar para oferecer seus frutos, nos despir dos preconceitos que nos envolvem dos julgamentos, da nossa arrogância e prepotência de nos achar “sabedores” de tudo, de todas as verdades.
Quem somos nós a não ser um grão de pó nessa imensidão azul?
Quem somos nós a não a ser um risco nesse imenso rabisco de palavras cruzadas que é a vida?
Eu não sou nada, e ao mesmo tempo sou tudo! Somos parte do todo, somos parte de Deus, criaturas divinas. O que será que Deus (nossa consciência, nosso Divino Eu Sou) deve pensar ou sentir quando capta nossos pensamentos e sentimentos mais preconceituosos e julgadores?
Não permita que o seu defeito seja maior que a graça de conviver entre irmãos, analise-se, pondere, reflita! Mude enquanto é tempo, pois à quem muito foi dado muito será cobrado, não estamos mais na ignorância, o tempo da escravidão acabou, a inquisição também, não temos tempo, já que temos que mudar, que seja agora!

Paz e Luz!

Gisele Xavier