Quando a Alma pergunta...

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Mude! Mesmo que doa...



Todos nós temos um conjunto de hábitos, crenças, valores, uma atitude, enfim, que está sempre se modificando. Toda vez que esse movimento nos traz algum tipo de dor ou desconforto, é hora de mudar. Mudar de atitude, mudar a postura diante da vida, a maneira de ver ou fazer. Mas o medo da mudança faz com que nos adaptemos à situação de desconforto para que tudo continue como antes, gerando assim toda sorte de descompasso.
Quando tomamos consciência da necessidade de mudança, parte da nossa experiência será queimar estoques de ideias que não são mais uteis. Teremos, assim, de viver um longo período de luto e luta na perda de tais mecanismos ou os transformaríamos em "uma massa flutuante, um monte inconsciente de virtualidades impessoais, um banco de nuvem sombrio prestes a derramar-se em uma chuva de dor sobre aqueles que não sabem reconhecê-la". O novo produz tanta ansiedade como o velho; mesmo costurado na dor, assenta melhor do que a roupa nova com tudo o que ela pode sugerir.
Mudanças são necessárias, mas precisam de transição para que as aceitemos. Conta-se que, num reino de guerra, havia um monarca que causava espanto. Cada vez que fazia prisioneiros, não os matava, mas os levava a uma sala onde havia um grupo de arqueiros em um canto e uma imensa porta de ferro no outro lado, e que nessa porta havia gravuras de caveiras cobertas com sangue. Então o rei fazia que eles ficassem em círculos e dizia: "Vocês podem escolher: morrer flechados por meus arqueiros, ou passar por aquela porta e suportar o que lá encontrarem. Todos os que por ali passaram escolheram morrer pelas mãos dos arqueiros". Ao término da guerra, um soldado que por muito tempo havia servido ao rei inquiriu-lhe sobre tal porta, ao que o rei respondeu-lhe: "Vá e veja". O soldado abriu vagarosamente a porta, cheio de receios, e deparou com raios de sol, um jardim magnífico e a liberdade.
Quantas portas nós temos deixado de abrir?
Vamos refletir...

(Texto extraído do livro: A sombra não assombra de Miriam Salete)

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